Em dezembro de 2002 houve um deslizamento bem grande no alto da Rua B, no final de uma subida próximo à uma curva grande à direita de quem sobre a rua. Ligamos para a Defesa Civil que lá esteve e confirmou a periculosidade do deslizamento. A prefeitura então enviou sua equipe de construção de muretas e…construiu uma mureta de desvio de água. O número do Laudo desta ocorrência é 6751, feito no ano de 2002. 5 anos e um mês atrás.
Imaginamos que depois da mureta fossem fazer algum tipo de contenção, mas nada aconteceu. A mureta está lá até hoje, o deslizamento também e vale dizer que havia uma mureta anterior, que foi construída há mais tempo, não morávamos no Ribeirão ainda, é uma construção antiga.
A mureta desvia as águas que poderiam aumentar a erosão sobre o deslizamento, mas ela também tem outro efeito. No dia 4 de janeiro de 2007, depois de 3 dias de chuvas nem tão fortes assim, mas insistentes, aconteceu um grande desmoronamento na mesma rua B, cerca de 80 metros abaixo do primeiro, justamente no final da mureta construída no deslizamento número um. A mureta termina sobre qualquer parte da estrada, não em uma canaleta de coleta de águas pluviais, nem numa boca de lobo, nem num bueiro, mas em qualquer lugar e ali mesmo começou o grande desmoronamento que descalçou metade da estrada da subida da Rua B da Estrada do Ribeirão.

Na mesma data (04/01/2007) um pouco mais abaixo, uma enorme clareira foi aberta mostrando uma paisagem antes desconhecida de quem passava pela estrada. Toda a vegetação despencou junto com uma encosta inteira, desvendando uma represa e uma queda d’água. Mais uma vez a encosta se descola da estrada, deixando-a sem suporte. A prefeitura não fez a mureta de contenção desta região, mas eu mesma fui até a SJL, loja de material de construção e enchi a mala de meu carro com blocos de concreto que tirei eu mesma da mala do carro. Contratamos um pedreiro local para fazer pelo menos uma mureta que protegesse a enorme curva da descida das águas que não sabem por onde devem passar.
Na parte baixa da Estrada do Ribeirão, nas ruas A,B,C… ocorreram vários deslizamentos, causando rachaduras em casas e a mudança de alguns moradores que, por sorte, nada sofreram, além do fato de terem suas casas quebradas e montanhas de terra e árvores que descem arrancadas obstruindo o fluxo das águas do Ribeirão que acaba por percorrer caminhos que ninguém conhece. Tememos sempre pelas conseqüências dos novos rumos tomados pelas águas desviadas do Ribeirão.
A prefeitura terminou por mandar engenheiros que fizeram levantamentos e orçamentos. Acabaram por escolher um dos vários pontos perigosos na Estrada do Ribeirão, na Rua B. A obra começou por volta de abril, imaginamos que consertariam os dois deslizamentos que distam menos de 100 metros um do outro, mas ficaram apenas em um. A obra parece ter sido muito bem feita. Além de fazerem a contenção da encosta desmoronada, a metade da estrada que havia caído junto foi reconstruída e uma mureta de proteção foi construída.
Nenhuma outra obra foi feita e nunca, desde março de 2007, repito, nunca mais ninguém apareceu em nenhum ponto da rua B para fazer qualquer tipo de limpeza, nem mesmo uma varredura simples.
Dia 01/03/2007 enviei um email ao Secretário de Obras, Sr Aldyr onde, entre outras coisas dizia:
“Tambem, desde o período crítico, quando a Comdep fez uma limpeza geral na rua, nunca mais encontramos nenhum funcionário de limpeza regular em nossa rua. Pedimos então, também, que nos mantenham em seu calendário de limpeza regular, uma vez que pagamos regularmente todas as taxas e impostos que os moradores de outras localidades mais lembradas.”
Dia 11/09/2007 enviei mais um email ao Sr Secretário (nunca recebi resposta) onde dizia entre outras coisas:
“…Não só nós que moramos naquela parte da Estrada do ribeirão, mas toda a
comunidade que foi afetada pelos deslizamentos em diversos pontos na
estrada, esperávamos que o outro deslizamento acima daquele na Rua B (cujo
desvio de águas provocou o deslizamento consertado) também fosse contido já
que é muito grande e cerca de 100 acima da obra feita; também esperávamos
que fosse contida a encosta onde fica a represa do Ribeirão que está muito
devassada e de onde praticamente toda a população que mora na parte baixa da
Rua se abastece de água. No caso de outro deslizamento naquela parte da
estrada haveria enormes prejuízos para todos os moradores ( eleitores) que
sentiram-se esquecidos uma vez que a placa da obra está na entrada da Rua,
onde eles moram.
O pessoal que mora na parte baixa da Rua que se mobilizou e pediu as obras à
prefeitura aguarda uma posição da prefeitura e da secretaria em relação às
providências preventivas para que na estação de chuvas que se aproxima não
tenhamos mais ninguém sem casa naquela região.
Desde o fim da obra não recebemos mais a visita da limpeza de ruas, apesar
de termos pedido diversas vezes. Há muitos galhos, árvores caídas e o lixo
que se aglomera e entope as canaletas e bueiros.
O que nós os moradores, tanto da parte de cima da estrada com da parte de
baixo, pedimos é que a limpeza das ruas seja feita antes que seja tarde, e
que a secretaria se manifeste sobre as obras que foram inclusive medidas por
técnicos e orçadas, porém não foram realizadas.
A encosta onde está a represa do ribeirão foi avaliada por um técnico que
consultamos como relativamente barata, podendo ser contida com uma manta
sintética e o plantio de cobertura, manta que custaria em torno de 8 reais o
metro quadrado.
Mais uma vez agradeço pelo conserto de um dos deslizamentos da Rua B e
aguardo sua resposta.”
Nunca recebi nenhuma resposta e, infelizmente, o que previ nos emails foi o que aconteceu. Os deslizamentos foram alargados, todas as canaletas e bueiros estavam lacrados com terra, saibro e galhos na época das chuvas e no dia 02/02/2008 os desmoronamentos aconteceram em série em toda a Estrada do Ribeirão.
18 dias depois dos desmoronamentos, nem um quilo da terra foi removido da estrada que está pela metade em diversos pontos da subida. A prefeitura compareceu ao local alguns dias após o ocorrido e construiu as muretas que parecem servir para desviar as águas das crateras abertas. A estrada hoje parece um labirinto com muretas que chegam em outras muretas que desviam sobre outras muretas e por aí vai. Os precipícios permanecem onde estão.
Dia 15/02/2008 enviei outro email ao Secretário, defesa civil, prefeito, etc. Não obtive resposta
“Prezado Secretário de Obras
Pedimos que seja feito um esforço inicial no sentido de enviar máquinas e
caminhões para desobstruir as ruas da Estrada do Ribeirão (Itaipava) que
estão cheias de terra.
As águas que já não escoavam pelo entupimento dos ralos e canaletas agora
ficam empoçadas nas barreiras de lama e tememos pelo agravamento das
condições das vias públicas que são nossa única alternativa de chegar em
nossas casas.
Aguardamos alguma resposta
Obrigada”
Dia 18/02/2008 enviei mais um email. Não obtive resposta.
“Prezados,
Solicitamos o envio de máquinas e caminhões para retirarem toneladas de
terra e areia decorrentes dos desmoronamentos na Estrada do Ribeirão,
Itaipava.
Lembro que a via é pública, nossas casas não foram construídas ilegalmente,
pagamos nossas contas e sabemos de quem é a responsabilidade por manter
nossa única via de acesso às nossa residências: do município.
Quando a prefeitura vai começar a retirar a terra, para que possa então
fazer o levantamento dos problemas e os orçamentos para consertos da nossa
estrada em caráter definitivo e estrutural? Não bastam as muretas.
As conseqüências do esquecimento podem ser graves para todos nós.
Aguardamos repostas. Todos os emails e ligações à defesa civil estão
guardados e não obtivemos uma resposta aos emails desde o primeiro que
mandei em setembro de 2007.
Mais uma vez, aguardarei alguma consideração por parte daqueles que deveriam
zelar pela nossa segurança.
Obrigada”